quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Em domicílio

Em domicílio

Passam alguns minutos das 23 horas, você está sozinho em casa e sem a menor disposição de preparar algo para comer. A chuva forte e gelada que cai naquele momento aumenta ainda mais sua preguiça. Resolve então pedir uma pizza. Meio mussarela, meio calabresa, acompanhada de um refrigerante de 2 litros. Tão básico quanto delicioso.

Cerca de dez minutos após o pedido, você escuta uma buzina de moto em frente à sua casa. “Bem mais rápido do que costumam ser. Finalmente estão melhorando essa entrega”, você pensa, e vai atender.

Por conta da chuva, o motoboy está completamente coberto: veste uma capa grossa com zíper fechado até o pescoço, luvas, calça jeans, tênis. O capacete está com o visor fechado. Todos os itens em cores muito escuras. O motoboy é alto, de ombros largos, e faz você pensar que ele combinaria melhor como um segurança de shopping. Pelo menos lá ele não ficaria todo molhado como se encontra agora.

Não é necessário abrir o portão: as frestas são suficientes para passar o dinheiro e receber a pizza. Não terá o trabalho de abrir os três cadeados, portanto. Terminada a transação, o motoboy se despede acenando e se vira em direção à moto. Você fecha e tranca a porta.

Você vai até a cozinha. É o único cômodo que está com a luz acesa: questão de economia. Abre a caixa da pizza e, desagradavelmente, vê que ela está estragada. Parece ter sido feita há várias semanas. Irritado, vai até a sala, pega o telefone sem fio e liga para a pizzaria. Enquanto o telefone chama, você volta para a cozinha e fica olhando inconformado para a pizza. Finalmente a moça atende. Você faz sua reclamação, mas ela diz não compreender. Explica que algumas encomendas atrasaram e, por conta disso, o motoboy deles ainda não havia saído para fazer as entregas.

Você insiste que já recebeu a pizza. A atendente, então, começa a teorizar: “talvez um motoboy de outra pizzaria, por uma incrível coincidência, fez uma entrega errada justamente na casa do senhor. Seria o caso de perguntar a algum vizinho se”...

Mas as palavras da moça são inúteis. Você já não presta atenção no que ela diz. Acabou de perceber, horrorizado, que na entrada da cozinha está em pé o motoboy.

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